Rumei
com muita certeza na rua, neste dia iluminado. Surgiu de repente na minha alma
um sentimento de valor intrínseco que volatizava ao meu redor, causando-me
certo desconforto. Sempre imagino que meus sentimentos estão acomodados aqui e
ali; vez ou outra, parece que se atrapalham, evadem-se de onde devem estar e
rumam para algum lugar desconhecido em mim. Criam um desconforto físico que vai
se alojar em algum canto das minhas entranhas que, ao reconhecer a quem
pertence o assunto, revolta-se.
Fico me movimentando em círculos para entender qual foi o
motivo desta Vaga ter sido suprimida do meu dia. Dá-me a impressão que, apesar
de me pertencer, não a retive. Não pude imaginar que ela pudesse ser
sequestrada por alguém não autorizado, sem que eu me desse conta. Sem prestar
muita atenção, em um dia qualquer, abri o cadeado da minha obrigação comigo
mesma e, no fluxo e refluxo da vida, escapou da minha guarda uma convicção
importante, deixando minha alma em apuros na tratativa do resgate.
Resolvi divagar e percorrer, ponto a ponto do esqueleto em
transe, qual o local em que vacilei no cuidado. Dei-me conta de que minha
coluna é de cristal: transparente, com sua composição enfileirada destinando a
mim — mesmo tão delicada — um espaço de cuidado primordial. Foi ali que
entendi: o descuido foi o motivo de deixar em aberto o que precisava ser
guardado muito de perto.
Minha Vaga. Preenchida por mim.

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