Invadiram o meu corpo de uma
forma tão radical que fui forçada a me evadir dele com rapidez sem nem sequer
fazer uma maleta portando o essencial como por exemplo a minha alma, meu
pensamento, meu espirito, meus neurônios e ao mais invisível que eu tivesse
alcance, ficando tudo à mercê da dor que entrou carne adentro, navegou pelas
veias, estremeceu a ossada, sacudiu os músculos.
Tudo estava se desconectando
de mim como se houvessem resolvido que ora em diante não haveria um todo e sim
apenas pedaços e que cada um deles teria vida própria não havendo chance de se
reunir e decidir qual a missão que lhes foi concedida em conjunto assim que eu
me formei como gente.
Deste modo intempestivo o
esqueleto se negou a continuar enredado com os ligamentos, articulações, veias
que, por ingenuidade, o deixaram só, desarticulado e sem ação oportunizando que
o caos da dor se proliferasse iniciando a corrida do bota fora quando o sangue
se manifestou revoltado deixando-se contaminar e espalhando por suas veias o
veneno que lhe impuseram. Seguindo o mesmo caminho os músculos murcharam
perdendo sua vitalidade e força, as articulações travaram impedindo o movimento
e o coração batia devagar, pé ante pé, parecendo temer que por um motivo alheio
a si parasse de bater.
Eu olhava o caos instalado
paralisada não podendo naquele momento interferir e neste momento ouvi um
cochicho da minha mente que me segredou que já estava na hora de voltar ao
estado original, porque este corpo desencontrado precisava da minha força espiritual
para estancar o trem que corria na velocidade da luz. Tracionei o pensamento revertendo
o Comboio da Dor.

Nenhum comentário:
Postar um comentário