sábado, 9 de maio de 2026

Pelo Lado de Fora do Mundo

 


Me deparei com um espaço grande, vestido de grama antiga que verdejava em alguns pontos, em outros estava seco, quase esturricado, havendo em sua extensão o mapa de uma noite. Ao meu lado, os restos de um fogo qualquer aqueceu um peregrino ou um morador temporário pousou seu cansaço na relva macia, por uma noite.

De outra ponta o solo árido denunciava que ali esteve por um tempo, um antigo sofá displicentemente descartado. No lado oposto, um ninho de corujas abandonado e uma trilha de formigas que parecia seguir para lugar nenhum, deixando um sulco caprichoso, como rastro.

Percebi com surpresa que ali havia se formado um campo aberto à mercê do cotidiano imponderável. Declinei de imaginar quantos pedaços incomuns grassam neste vasto campo, situado na beira do mar onde seu limite é lambido pelas tenras ondas do vasto oceano que possui, igualmente, muitos segredos de transição entre os mares.

Ao passar os olhos tão rapidamente pelo lado de fora do mundo encontrei tudo o que não me pertence, no sentido metafórico.  Este lugar ermo e solitário veio me contar a história de pedaço em pedaço, costurando em sua terra cenas de noites e dias que carregam na bagagem o silêncio da noite.

Resolvi descer mais um patamar do desconhecido que me circunda, encontrando o caminho, este comum – de pau e pedra - que adentra o bosque, afunda-se na picada de arbustos cerrados penetrando no mundo mágico da beira da praia. Ali se encontra o relato misterioso do terreno desocupado e o oceano acolhedor. Sem testemunha.

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