Me deparei com um espaço
grande, vestido de grama antiga que verdejava em alguns pontos, em outros
estava seco, quase esturricado, havendo em sua extensão o mapa de uma noite. Ao
meu lado, os restos de um fogo qualquer aqueceu um peregrino ou um morador
temporário pousou seu cansaço na relva macia, por uma noite.
De outra ponta o solo árido
denunciava que ali esteve por um tempo, um antigo sofá displicentemente descartado.
No lado oposto, um ninho de corujas abandonado e uma trilha de formigas que
parecia seguir para lugar nenhum, deixando um sulco caprichoso, como rastro.
Percebi com surpresa que ali
havia se formado um campo aberto à mercê do cotidiano imponderável. Declinei de
imaginar quantos pedaços incomuns grassam neste vasto campo, situado na beira
do mar onde seu limite é lambido pelas tenras ondas do vasto oceano que possui,
igualmente, muitos segredos de transição entre os mares.
Ao passar os olhos tão
rapidamente pelo lado de fora do mundo encontrei tudo o que não me pertence, no
sentido metafórico. Este lugar ermo e
solitário veio me contar a história de pedaço em pedaço, costurando em sua
terra cenas de noites e dias que carregam na bagagem o silêncio da noite.
Resolvi descer mais um patamar
do desconhecido que me circunda, encontrando o caminho, este comum – de pau e
pedra - que adentra o bosque, afunda-se na picada de arbustos cerrados
penetrando no mundo mágico da beira da praia. Ali se encontra o relato misterioso
do terreno desocupado e o oceano acolhedor. Sem testemunha.

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