Gosto de ser como o mar, uma massa à deriva dos meus pensamentos deixando minha vida seguir em ondas que às vezes podem ser mais volumosas e outras apenas marolas, chegando delicadamente na beira da praia. Muitas vezes, com vento ao contrário da maré, a espuma se enfuna numa brincadeira trágica, uma vez que a profundeza é mais forte e busca seus respingos de volta.
Bom demais ter uma cabeça barulhenta como o oceano, que indica vários
desafios desde o começo do dia, não necessitando nenhum estímulo externo para
se sentir bem, para saber o que fazer e pensar. Esta sensação de não estar
presa é que me dá sustento para fincar meus objetivos de acordo com o tempo a
meu serviço, resultando em certo mal-estar em relação às invasões cotidianas de
pessoas e de situações.
É com esta cachola cheia que me nutro para andar por aí, trocando ideia
com o vento, seguindo o voo dos pássaros, reconhecendo em cada esquina o buraco
de ontem desviando somente no instinto. É com a minha mente liberta do algoz do
compartilhamento – que para mim já é palavrão – que possuo todas as benesses de
um dia de fazer nada e dias de muito fazer. Mas a insistência não para.
Aquietar o corpo e o espírito devia ser regra para todos, uma vez que
somente no encontro íntimo de cada um vamos nos conhecer. Sem o duro
embate com nossa própria alma não há como crescer. Não tenho paz com tanta
interferência invasiva.

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