Resolvi fazer uma viagem para
longe, apenas em pensamento, porque encontrei por aí uma densa nuvem, pesada
demais para que eu quisesse ou pudesse debelar, enfrentar ou até entender. Me
encontrei sem pensamento oportuno e todas as minhas vontades dançavam ao meu
redor, brincando de esconde-esconde comigo quando eu almejava as alcançar, se
esquivando com um longo olhar no vazio e uma virada na bussola.
Para o deslocamento imaginário
tomei pela manhã a minha dose extra de contação de história, levei os
ingredientes curiosidade, audácia, maldade, cinismo na sacola do braço
esquerdo. No direito recolhi no meu jardim o amor que está sempre a postos
frente a mim com um sorriso bem aberto mesmo que minha cara esteja carrancuda. Ele
nunca perde a esperança e, todas as manhãs, eu o encontro no alpendre. Me
esperando.
Junto a ele, eu retirei da
prateleira mais alta a alegria porque tem sido mais difícil ela surgir
espontaneamente como se fosse normal sombrear o olhar. Mesmo que ela resistisse
descer das alturas desta sala eu a busquei utilizando a escada da impertinência
que andava me seguindo neste instável pensamento.
Ponderei que faltavam componentes
que fizessem um contraponto para que eu pudesse amassar o imaginário. Lancei
mão de alguns elementos coringa que sempre estão na beirada do meu teclado em
prontidão para saltar e rebater tudo o que eu estou escrevendo. Talvez eu
necessite desta companhia que eu relego quase sempre para compor esta forma de
assuntos discordantes.
Parei para olhar quais
palavras estão sendo lançadas a partir da imaginação, para que eu crie um símbolo
com uma feição real por haver domesticado a desordem para que a escrita fosse a
única maneira de amassar o caos.

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