sábado, 24 de janeiro de 2026

O Imaginário

 


Resolvi fazer uma viagem para longe, apenas em pensamento, porque encontrei por aí uma densa nuvem, pesada demais para que eu quisesse ou pudesse debelar, enfrentar ou até entender. Me encontrei sem pensamento oportuno e todas as minhas vontades dançavam ao meu redor, brincando de esconde-esconde comigo quando eu almejava as alcançar, se esquivando com um longo olhar no vazio e uma virada na bussola.

Para o deslocamento imaginário tomei pela manhã a minha dose extra de contação de história, levei os ingredientes curiosidade, audácia, maldade, cinismo na sacola do braço esquerdo. No direito recolhi no meu jardim o amor que está sempre a postos frente a mim com um sorriso bem aberto mesmo que minha cara esteja carrancuda. Ele nunca perde a esperança e, todas as manhãs, eu o encontro no alpendre. Me esperando.

Junto a ele, eu retirei da prateleira mais alta a alegria porque tem sido mais difícil ela surgir espontaneamente como se fosse normal sombrear o olhar. Mesmo que ela resistisse descer das alturas desta sala eu a busquei utilizando a escada da impertinência que andava me seguindo neste instável pensamento.

Ponderei que faltavam componentes que fizessem um contraponto para que eu pudesse amassar o imaginário. Lancei mão de alguns elementos coringa que sempre estão na beirada do meu teclado em prontidão para saltar e rebater tudo o que eu estou escrevendo. Talvez eu necessite desta companhia que eu relego quase sempre para compor esta forma de assuntos discordantes.

Parei para olhar quais palavras estão sendo lançadas a partir da imaginação, para que eu crie um símbolo com uma feição real por haver domesticado a desordem para que a escrita fosse a única maneira de amassar o caos.

 

Nenhum comentário:

Alegoria

  Encontrei aquele rolo no meio dos meus guardados, aqueles que vieram de longe aportar por aqui para todo o sempre exatamente como determin...