Desta vez não foram meus pés
que me levaram ao mar mas o meu pensamento confuso que, entre pernas
melancólicas, não sabia direito onde se abrigar vagando para lá e cá, perdido,
ansioso, parecendo ser levado por alguém interno e que tinha muito poder,
surgindo ali uma incapacidade minha de descobrir de onde vinha, tal era o amargor que alinhava
a caminhada teimosa do meu corpo sendo quase impossível estancar o dilúvio nostálgico
que me acometia, sem pedir licença e me passando a frente no caminho.
Mesmo assim avancei sobre as
ondas rezando para que meus pés tivessem nadadeiras para poder penetrar nesta
água revolta, hoje, tão igual a mim e, assim, poder me comparar com o desalinho
de suas ondas transversas, do recuo forte para dentro do oceano parecendo secar
a terra para depois se arrepender, dar meia volta errando a trilha daquele
pedaço especifico de praia que tem sua personalidade conhecida.
Parei para apenas pensar no
que estava ocorrendo no meu ser físico que parecia estar tomando a dianteira -
assim como o mar – agindo sem perguntar, dar uma dica ou um sintoma para ter a
bondade de me avisar e mostrar o que estava por vir. Foi neste clima que me dei
de cara com a minha alma, esta moça velha, açoitada sem saber por quem já há
algum tempinho. Ela estava muito apagada, quase translucida e se fosse um corpo
eu diria, transparente.
Mergulhei na água tépida de
verão e por ali me deixei escorregar junto as pequenas ondas que se digladiavam
umas com as outras fazendo meu corpo chacoalhar, sem se defender. Deixei que a
natureza me desse a resposta para os meus dois componentes em conflito – corpo
e mente.
Imaginei que a ordem deveria
ser restaurada mesmo sem ter conhecimento do elemento causador do distúrbio e
assim, levantei-me e iniciei a volta para a terra, agora, pensando que em mim –
como no mar – o fluxo e refluxo revoltou as profundezas trazendo lembranças
amáveis como sementes retirando de mim salgadas lágrimas curadoras que
mansamente se misturaram na cálida água de Sal do Mar.

Um comentário:
O banho de Mar cura tudo, até as dores da Alma! Linda Crônica! Como sempre, em lindas e doces Palavras Tu dizes coisas que Nós gostaríamos de Expressar! Parabéns! Beijo😘
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