domingo, 21 de dezembro de 2025

Solstício de verão

 


O ar mudou de cara e agora surge na ventana com alarido e parecendo que alguma coisa importante está ocorrendo em seu nascedouro, ficando claro que cada quadrante quer ter uma performance mais airosa possível sabendo que anda entrando por todos os buracos da nossa terra aquela estação em que tudo é para mais, nada vem para menos. É nesta inauguração da nova Estação Verão que os filhos do clima trocam os pés pelas mãos, acordam antes da hora, sopram para o lado errado, queimam o que deveria sombrear deixando secar pingo d’agua.

O primeiro a erguer a bandeira da luz intensa se chama Astro Rei Sol que adentra pela madrugada já ardente,  alardeando que o dia vai esquentar a mufa de humanos amigos, desumanos inimigos, animais e plantas e, além disso, ao invés de refrescar as águas do mar, do rio, do açude, do córrego, do lago e lagoa se delicia quando mil corpos ansiosos  procuram sua ardente luz para mudar o tom da pele e ele, nesta situação, não se importa com a maldição jogada sobre si, todas as manhãs, seguindo firme no destino esfogueado que o clima lhe concedeu.

O resultado desta pequena revolução de hoje é demonstrado na chegada do dia mais longo do ano que será recepcionado pelos alegres vespertinos declarando que além da elevação do patamar climático existe a intenção de realizar tudo no modo mais atropelado e superlativo que houver porque, afinal, o brilho do dia somente se aplacará bem mais tarde.

Na sequência deste desempenho superlativo a noite chega mansamente acomodando a desordem apenas como uma tentativa fracassada, uma vez que o período de uma noite abençoada será menor e, bem cedo, tudo recomeça.

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