O ar mudou de cara e agora
surge na ventana com alarido e parecendo que alguma coisa importante está ocorrendo
em seu nascedouro, ficando claro que cada quadrante quer ter uma performance mais
airosa possível sabendo que anda entrando por todos os buracos da nossa terra
aquela estação em que tudo é para mais, nada vem para menos. É nesta
inauguração da nova Estação Verão que os filhos do clima trocam os pés pelas
mãos, acordam antes da hora, sopram para o lado errado, queimam o que deveria
sombrear deixando secar pingo d’agua.
O primeiro a erguer a bandeira
da luz intensa se chama Astro Rei Sol que adentra pela madrugada já ardente, alardeando que o dia vai esquentar a mufa de
humanos amigos, desumanos inimigos, animais e plantas e, além disso, ao invés
de refrescar as águas do mar, do rio, do açude, do córrego, do lago e lagoa se
delicia quando mil corpos ansiosos
procuram sua ardente luz para mudar o tom da pele e ele, nesta situação,
não se importa com a maldição jogada sobre si, todas as manhãs, seguindo firme
no destino esfogueado que o clima lhe concedeu.
O resultado desta pequena
revolução de hoje é demonstrado na chegada do dia mais longo do ano que será
recepcionado pelos alegres vespertinos declarando que além da elevação do
patamar climático existe a intenção de realizar tudo no modo mais atropelado e
superlativo que houver porque, afinal, o brilho do dia somente se aplacará bem
mais tarde.
Na sequência deste desempenho
superlativo a noite chega mansamente acomodando a desordem apenas como uma
tentativa fracassada, uma vez que o período de uma noite abençoada será menor e,
bem cedo, tudo recomeça.

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