“....Eu lembro da primeira vez que
te vi, numa beira de porta, com olhos pendentes no vácuo, flanando na dúvida e
na surpresa. Talvez por você não estar preparado para mim, ainda.
Eu lembro que fiquei ali, parada,
sem saber onde colocar as mãos. Não sabia se ria ou chorava, enquanto tua voz
ecoava no meu peito.
Eu lembro de sempre estar sozinha
quando precisava ter alguém por perto. Parecia um sintoma de algo que a mim
estava destinado.
Eu lembro de não abrir minha fala
quando em alguma roda desconhecida, talvez porque eu, de antemão, suspeitasse
de tudo um pouco.
Eu lembro de desejar que o inverno
chegasse logo, somente para poder escolher quais roupas da estação gelada
seriam as primeiras a me abraçar.
Eu lembro da iniciativa de
escolher uma época maravilhosa da vida, somente para detalhá-la, ponto por
ponto, no futuro.
Eu lembro do minuto em que me pus
em lágrimas, sem possibilidade de nada, nem ninguém, conseguir estancá-las....”

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