terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

O Eco do Braço Estendido

 


Não era noite ainda e o dia teimava em ficar de pé, mesmo bruxuleando sua luz, mesmo querendo ficar, mas tendo que partir, mesmo melancólico porque o momento estava se parecendo com ele dando a impressão que ele clamava por algo que o confortasse, que dissesse a ele que estava bem ir agora e que a volta já estava programada. Não era exatamente um pedido, mas uma suplica para que esta ocasião especifica de sumir no horizonte pudesse ser retardada. Um minuto apenas.

Me surpreendi ao analisar esta situação neste formato que a mim se apresentou uma vez que eu estava me comportando como este final de luzes, meus pés pareciam girar erráticos não obedecendo necessariamente ao meu comando, se dirigindo para um lado que logo se mostrou cheio de espinhos, de outra parte se apresentava um lamaçal e, em outras valas, bloqueada para passantes. Fiquei imaginando como eu poderia atravessar uma trilha pequena que eu vislumbrava em frente e que me faria chegar a um paradouro escondido na mata que me traria um pouco de paz e tranquilidade que, por qualquer motivo, se evadiu de mim.

Afoita em buscar socorro frente a última tentativa para que meus pés acertassem o passo, vi alguém sentado na beira do caminho bifurcado e, sem analisar quem poderia ser, estendi meu braço em um aceno simplório de lhe chamar a atenção para que me indicasse qual trilha escolher.  Fiquei ali, com o braço estendido pedindo ajuda acompanhado por um sorriso no rosto esperançoso de encontrar o fio da meada intrincada ao qual eu havia sido jogada. Recebi de volta um rosto sombreado e uma negativa em um patético e alto bom som. Como seu estivesse sido atingida por um raio, girei os calcanhares e segui o caminho que meu coração estava indicando.

 

 

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