Não era noite ainda e o dia teimava em ficar de pé, mesmo bruxuleando sua luz, mesmo querendo ficar, mas tendo que partir, mesmo melancólico porque o momento estava se parecendo com ele dando a impressão que ele clamava por algo que o confortasse, que dissesse a ele que estava bem ir agora e que a volta já estava programada. Não era exatamente um pedido, mas uma suplica para que esta ocasião especifica de sumir no horizonte pudesse ser retardada. Um minuto apenas.
Me surpreendi ao analisar esta
situação neste formato que a mim se apresentou uma vez que eu estava me
comportando como este final de luzes, meus pés pareciam girar erráticos não
obedecendo necessariamente ao meu comando, se dirigindo para um lado que logo
se mostrou cheio de espinhos, de outra parte se apresentava um lamaçal e, em
outras valas, bloqueada para passantes. Fiquei imaginando como eu poderia
atravessar uma trilha pequena que eu vislumbrava em frente e que me faria
chegar a um paradouro escondido na mata que me traria um pouco de paz e
tranquilidade que, por qualquer motivo, se evadiu de mim.
Afoita em buscar socorro
frente a última tentativa para que meus pés acertassem o passo, vi alguém
sentado na beira do caminho bifurcado e, sem analisar quem poderia ser, estendi
meu braço em um aceno simplório de lhe chamar a atenção para que me indicasse qual
trilha escolher. Fiquei ali, com o braço
estendido pedindo ajuda acompanhado por um sorriso no rosto esperançoso de
encontrar o fio da meada intrincada ao qual eu havia sido jogada. Recebi de
volta um rosto sombreado e uma negativa em um patético e alto bom som. Como seu
estivesse sido atingida por um raio, girei os calcanhares e segui o caminho que
meu coração estava indicando.

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