
Na vida de cá foram muitas histórias misturadas, muito passa passa e agitação, sempre entremeada de falas intensas com recordes de animada conversalhada, não importando muito com quem, nem discriminando o ouvinte. Nem sempre se pode calar e nem sempre se pode falar e uns e outros se vão pelo caminho transformando a si e aos outros em impotentes interlocutores.
E não foi diferente desta feita na reunião de muitos para o adeus.
Há sempre o imbróglio inicial com o olho apertado no reconhecimento e nesta hora as histórias se misturam e se entrelaçam qual teia implacável da vida de cada um.
Fios de seda invisíveis unem os personagens que vivamente se alternam contando suas histórias recentes, uns tentando pular o passado mostrando o presente glorioso, outros na busca de demonstrar importância recente exacerbando emoções que de tão intensas se desvendam fingidas.
Na trama enredada figuram sentimentos aflorados por todos e muitos motivos e a reunião acaba exaurindo todas as possibilidades de perdão chegando a hora do “para sempre’.
A família, altaneira em sua essência e impávida como lhe é de costume em tais situações a tudo observa e, um pouco sem alternativa, vai timidamente revelando a alegria do passado em família e da triste despedida sincera de todos e apenas, eles.
Caixão fechado.